Nova Perspectiva

17 de julho de 2015

Você é a minha dose de adrenalina

Via reprodução
Por muito tempo eu cheguei a acreditar que jamais viveria uma coisa dessas novamente, e nem queria viver, depois de tanta cacetada na cabeça a gente tende a ficar mais cuidadoso. Jurei que manteria meus pés pregados ao chão para evitar mais um desses tombos desnecessários, não queria mais encarar esses amores que chegam e destroem tudo e depois vão embora como se nada tivesse acontecido e deixam a gente tentando entender o que foi que aconteceu. E a gente nunca entende, porque é tudo tão intenso e tão maluco que quando chega no final nada, absolutamente nada, faz sentido.

Esse tipo de amor, que chega no meio da noite e vai embora antes de trazer as escovas de dente, é mais ou menos como uma montanha russa, você enfrenta uma fila infernal roendo as unhas pra ver se isso acelera o processo e faz chegar logo a sua vez, quando, finalmente, você gira a catraca e senta no carrinho o furacão Katrina invade seu estômago e dá uma vontade louca de sair correndo e gritando, aí eles apertam a trava e você confere naquela fração de um segundo umas trocentas vezes se realmente está tudo ok, e por mais que esteja a gente sempre acha que vai dar merda, de repente o brinquedo liga e você fica meio cego de tanto medo e ansiedade e um monte de sensações misturadas, ele vai subindo até parar por alguns instantes e nesse instante você chega ao ápice da adrenalina, ali você já não tem certeza de mais nada, do nome dos seus pais, da cor do seu cabelo ou quantos anos tem o seu cachorro, a única coisa que passa pela sua cabeça é que vai cair. E então cai.

A tão esperada queda, aquele momento em que o nosso coração chega até a boca e nós nos vemos meio que obrigados a engoli-lo, aquele conjunto de milésimos de segundos que deixam cada pelinho do seu corpo em pé e fazem a sua cabeça parecer um precipício branco, ela chega, e passa com a velocidade oposta à que você esperava. Agora você já está na plataforma com as pernas meio bambas e a impressão de que foi muito pouco para o tanto que você esperou. É isso que esses amores são: muito pouco para o que a gente gostaria. E eu não queria mais passar por isso até o dia em que você bateu na traseira do meu e se convidou para entrar na minha vida sem me dar tempo para analisar as consequências.

Você me deu um cartão, pediu para que eu ligasse mais tarde e combinássemos o conserto e na mesma noite apareceu com um vinho português e uma pizza da minha pizzaria favorita e eu fiquei me perguntando: como ele sabe? Como? É que, no fundo, vocês sempre sabem de tudo. Te ofereci um espaço no meu sofá e você foi ocupando cada pedacinho que eu tinha prometido manter livre para o cara certo, sem que eu me desse conta o coração já estava na boca, a adrenalina de me jogar em um amor tempestivo já tinha tomado conta de cada poro do meu corpo e eu já tinha desistido de me convencer que ia dar merda. Talvez dê, em algum momento, mas eu topo o risco da trava falhar e eu cair. A gente vale essa aventura. Eu topo o risco dá queda ser curta, de me decepcionar quando o carrinho parar na plataforma e de querer repetir para o resto da vida. Você é a minha dose de adrenalina e eu tinha me esquecido de como é bom deixar os pés sair do chão.

Não sei quando você vai embora, mas eu vou pretendo aproveitar essa queda até o brinquedo parar.

4 comentários:

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  2. Que texto lindooo!! O amor é mesmo isso, quando a gente experimenta e se decepciona, jura não fazer aquilo de novo, mas quando volta a acontecer não tem quem nos segure dessa adrenalina. E o engraçado é que o segundo amor é melhor que o primeiro, o terceiro melhor que o segundo... e assim vai até chegar na pessoa certa que nunca permitirá a seguinte ♥ Beijos!

    http://chuvadejujubas.blogspot.com.br/

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  3. Adoro essa facilidade que tu tens de misturar o real com o inventado e transformar em textos assim. Cheios de amor e aprendizado.
    Beijo

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  4. Meu Deus! que texto mais lindo, você mistura tudo de uma maneira tão real, tão leve sabe. Seus textos são simplesmente maravilhosos <3
    Amo seu blog, acompanho sempre, parabéns <3 <3

    http://meninaneemteconto.blogspot.com/

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.