Nova Perspectiva

13 de julho de 2015

O dia em que te esqueci

Via reprodução
Eu te esqueci naquele dia em que no meio de uma conversa com alguns amigos eu lembrei de uma história nossa e não disse, porque era engraçadinha e tinha tudo a ver com o assunto, mas aquilo fazia tanto tempo que nem tinha um porquê de jogar na mesa. Teve um tempo em que eu só conseguia falar de você, do nosso passado e das lembranças que eu insistia em não deixar sumir de dentro de mim. Eu te esqueci dia desses, também, quando passei em frente à uma loja e vi uma calça jeans meio desbotada que era a sua cara, mas não consegui recordar se você vestia quarenta e dois ou quarenta e quatro. Talvez nem fosse na casa dos quarenta, ainda mais agora, com toda a musculação que cê anda fazendo. Falando em academia, te esqueci quando me pararam na rua pra falar de suplemento e eu não consegui pensar em ninguém pra indicar até chegar em casa, me jogar no sofá e ver uma foto sua levantando alguns quilos em uma barra de ferro. Você ficou mais forte desde que a gente se separou, e eu mais segura.

Mês passado me convidaram pra uma festa privada naquela praia mega badala do litoral norte e eu aceitei meio sem ter certeza se já tava pronta pra me jogar na night paulistana, no fundo eu não queria admitir que estava, sim, e que já tinha passado da hora de transformar o preto do luto que eu vinha vestindo depois da morte da nossa história em um vestidinho curto moldado por um salto agulha. A noite foi tão boa que eu nem me lembrei de tirar foto pra mostrar pra você como eu tava feliz aproveitando a minha nova fase de solteirice, porque eu estava mesmo, sabe? Não tive que ensaiar sorrisos em frente ao espelho pra parecer mais feliz enquanto engolia o choro da maneira mais cafona possível, de um jeito meio intempestivo eu já tava sorrindo à toa, por dentro e por fora, e nesse momento eu percebi que tava te esquecendo.

Eu te esqueci quando pensei em te ligar e não achei seu número, nem na agenda do celular e nem na minha memória. Fui deixando pedacinhos seu conforme o tempo foi passando, algo bem gradativo, um pouquinho aqui, outro pouquinho ali e a caminhada foi ficando cada dia mais leve. Eu esqueci teu sabor preferido de sorvete e quanto você calçava e qual era o seu jogo de vídeo game preferido, comecei a ter dúvidas sobre se você gostava mais de preto ou azul marinho, macarrão à bolonhesa ou carbonara, e qual era aquele filme que não saia do seu DVD, até me dar conta de que eu não sabia mais, porque, de alguma maneira, meu cérebro já tinha entendido que não fazia mais sentido ocupar espaço com detalhes insignificantes. Eu te esqueci quando fui ao show da sua banda favorita e não chorei ouvindo a nossa música, porque ela é bonita e representa uma fase boa das nossas vidas, mas não me toca mais como tocava. Eu te esqueci quando vi uma foto de vocês e sorri, de canto, porque sua felicidade não incomoda mais a minha. Eu te esqueci, meio devagar, meio relutante, meio sem querer, bem no dia em que olhei pra mim e encontrei o meu verdadeiro amor.

4 comentários:

  1. Lindo texto. To comecando a viver essa fase kkkk

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  2. OI OI, quando essa fase chega, ela chega assim mesmo... estranha .. mas quando nos damos conta ficamos felizes! Eu vi a tua atualização pelo meu FEED DO FACEBOOK e vim correndo.
    Um beijo, Um queijo ...
    DANIELE

    PORDANIELE.COM

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  3. "Eu te esqueci, meio devagar, meio relutante, meio sem querer, bem no dia em que olhei pra mim e encontrei meu verdadeiro amor." pelos deuses, como você escreve bem! Nesse momento estou vivendo uma fase meio parecida, digo "meio" porque acabei descobrindo que o que eu sentia não era amor e sim carência.
    Tou louca pra descobrir detalhes sobre o seu livro, você bem que poderia fazer um post sobre, né?

    Caosologia

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  4. O tempo passa e a gente se acostuma ao fato de não ter mais a pessoa por perto e é natural ir esquecendo e deixando de fazer falta. Quando a gente ver, já nos bastamos e isso é ser leve, tranquilo, distraído.
    Texto bonito demais.

    Boa noite, bjos.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.