Nova Perspectiva

5 de julho de 2015

Deixa o nosso amor ser a minha calma

Via reprodução
Entra bem devagarinho e sem bater à porta, por favor. Eu sei que no script tá falando pra você colocar à baixo a minha estrutura e tirar meus pés do chão, mas to atrás de voos mais baixos e aventuras mais sutis, nada de cabeça nas nuvens, eu quero ter a sensação de caminhar com o passo no mesmo ritmo que o teu. Sem grandes loucuras hollywoodianas ou malabarismos fantásticos com o meu coração, só quero atingir o equilíbrio milenar que mantém as almas em sintonia sem nenhum efeito especial.

Chega uma tarde dessas sem avisar, mas traz aquele pão de queijo recheado que eu adoro daquela padaria na esquina na tua rua e deixa que eu passo um café fresquinho pra nós dois, bem amargo, que de doce já basta a nossa história, enquanto o relógio roda e a gente derrama algumas palavras sobre algum desses assuntos sem importância que deixam o dia menos tenso. Fica um pouco mais, até mais tarde, mas não promete que não vai embora se não tiver certeza de que quer a eternidade comigo. Não promete que vai ser pra sempre se for durar só até o café da manhã, não me sobraram muitas fichas pra apostar nessas histórias da vida, então não me deixa desperdiçar mais uma delas se a tua intenção não for fazer valer a pena.

Deita aqui no chão e segura a minha mão e me deixa misturar o meu riso ao teu. Mas não diz que vai ser sempre assim. Não vai, e tudo bem se nessa caminhada eu derramar algumas lágrimas, desde que você ainda esteja aqui para enxugá-las, só não me faz chorar o oceano por errar de novo. Não se preocupa com a louça amontoada na pia e nem com as almofadas espalhadas pela sala, só não bagunça aqui dentro de mim, que a faxina foi difícil e agora tá tudo em ordem e eu não quero nunca mais enfrentar aquela desornem mental. Tá bom?

Não precisa me ligar o tempo todo, mas, por favor, não some como se eu não tivesse importância, não foge sem dizer que tá indo por que isso tudo ficou pesado demais e você não consegue carregar. Não me deixa sonhar acordada se a tua mão não for me segurar no final, que o tombo é grande e eu já me machuquei demais. Não deixa meu mundo sair do eixo se o teu não se deslocar também, nem faça eu fantasiar um futuro ao teu lado se não quiser que o teu também seja ao meu. 

Vem com cuidado que a casa vai estar sempre aberta, mas não chega quebrando tudo porque foi difícil de arrumar e eu não sei se consigo fazer isso de novo. Peguei trauma de movimentos bruscos, então seja a leveza que eu preciso. Seja a paz que falta dentro de mim. Não quero e nem posso mais com uma dessas histórias arrebatadoras que começam tão inexplicavelmente quanto acabam, já esgotei minha cota de romances virais. Eu já vivi tudo o que essas histórias tempestivas podem oferecer e aprendi que no meio do furacão não tem rocha que resista, então, por favor, seja a calma do amor que eu nunca tive.

2 comentários:

  1. Oi! :) :)

    Que texto lindo! Acho que essa é a parte mais difícil quando começamos a gostar de alguém... É do ser humano criar expectativas, ou imaginar que tudo está indo para um caminho, quando na verdade você está seguindo sozinho sem nem perceber.

    Beijos
    www.dezoitoprimaveras.com.br

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  2. Sempre criamos expectativas, mesmo sabendo de todos os riscos que corremos.
    Sei lá, da pra manter os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Com o tempo vamos aprendendo vários truques, e tenho certeza de que tu já aprendeu vários.
    Belo texto!
    Bjo

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.