Nova Perspectiva

7 de julho de 2015

Cria coragem e vem viver o nosso amor

Via reprodução
Reviro a caixa postal na esperança de ouvir sua voz dizendo que lembrou de mim enquanto assistia algum desses filmes da sessão da tarde com ela, que você olhou pro lado e desejou bem baixinho que fosse eu, ali, no meio dos seus braços pedindo pro seu colo me esquentar nessas tardes frias de inverno, que ela fez uma pipoca tão queimada que foi impossível não querer a minha sempre tão cheia de sal, e amor. Que você tá tentando se enganar em outros lábios, mas que tá dando tudo errado e só os meus beijos podem consertar.

Vazio, escuto só mais uma vez pra ter certeza de que não passou despercebido. Nada. Nenhuma mensagem, nenhum torpedo, nenhuma ligação perdida e nenhum sinal de fumaça, só aquele sorriso forçado naquela foto que o seu amigo postou semana passada, só a nossa música no seu mural como um grito mudo de quem também tá sentindo saudade, só as indiretas que ela posta no facebook dizendo que eu não largo do seu pé. A gente sabe que não é bem assim. Nunca foi.

A nossa história é um romance que cisma em ser conto, que teima em acabar antes do nosso amor e afastar a gente antes do final feliz. É um ponto final que bate o pé em se tornar reticências porque sabe que ainda não acabou. Ainda não. Eu sei, eu sinto. Não tem buquê de flores, nem surpresas de madrugada, nem declarações apaixonadas e pedidos de perdão, mas tem essa sensação aqui dentro que me faz ter certeza que de alguma maneira você também está pensando em mim agora, olhando pro teto do seu quarto e procurando respostas que façam isso tudo fazer algum sentido. E é vão, você nunca vai conseguir enxergar que é o próprio vilão do nosso amor.

Se você me deixasse falar, meu bem, eu diria que a culpa da gente nunca ter dado certo tá no seu medo de sair dessa zona de conforto que a sua relação estável te dá e embarcar nessa viagem perigosa que a gente pode ser. Eu te diria que eu também tenho medo, sempre tive, a gente é uma dessas bombas atômicas que quando estourar vai acabar levando tudo que está ao nosso redor. Só que eu aceito o risco de viver um amor assim, aceito despencar desse penhasco sem garantia nenhuma de que a queda não vai machucar se a tua mão estiver segurando a minha. Eu aceito e busco coragem nesse pânico que me causa a ideia de que em algum momento o nosso amor enfraqueça a ponto da gente não se querer mais, eu aceito porque o risco de ficar sem você é maior do que o da gente se machucar se quisermos fazer isso dar certo. Eu quero fazer. E sei que você também quer. Tá nas suas entrelinhas, nos seus olhos, no seu silêncio e no meu coração que não para de gritar que o teu também sente falta do meu, então vem correndo e esquece esse medo em casa, antes que eu resolva esquecer que ainda gosto de você.

3 comentários:

  1. " Só que eu aceito o risco de viver um amor assim, aceito despencar desse penhasco sem garantia nenhuma de que a queda não vai machucar se a tua mão estiver segurando a minha."

    UAU!
    Que texto incrível, profundo e doloroso. Mesmo não sendo um tema que eu esteja passando, adoro admirar bons textos e que tocam lá no fundo [...]
    Você escreve MUITO BEM! Parabéns mesmo.

    www.vodkaescarpin.com.br

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  2. Tão triste e tão bonito. Gostei! ♥

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  3. Agridoce, essa palavra define seu texto. Apesar da minha apatia romântica, pude sentir sentimento nessas palavras. Gostei!
    att,
    Myllena Vasconcelos
    Desses Dias Meios

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.