Nova Perspectiva

16 de junho de 2015

Sobre despedidas

Via reprodução
Eu te vejo ir e dói uma dor aguda no canto esquerdo do peito, uma dor de quem se despede de um futuro bonito e segue por outro caminho desconhecido. Sei que em você também pesa, também fere, também queima, mas não teve outro jeito, moreno, eu precisava deixar você partir. Certa vez cê me disse que a vida é igual viajar de trem, cheia de estações, encontros e desencontros, que tem gente que vem e fica, tem gente que se atrasa e nem entra, tem gente que senta lá longe e a gente nunca descobre quem era, tem gente que entra bem no final e a gente fica se perguntando por que ela não chegou antes, tem gente que fica pertinho, mas fala tão pouco que a gente nem sente, e tem gente que a gente ama, muito, desesperadamente, mas que por algum motivo precisa descer na metade do caminho. O nosso amor não aguentou o tranco da viagem e eu tive que mudar de vagão, foi melhor assim.

Depois daquela tarde em que o nosso silêncio ficou incomodo, eu percebi que os nossos corações não batiam mais na mesma intensidade, não dava para manter uma relação desse jeito, você sabe, nunca fui muito de empurrar nada com a barriga, nem de deixar pra amanhã e depois e depois até não ter mais como adiar e explodir, eu não ia fazer isso logo com a gente. Cê percebeu, também, quando pegou a minha mão e a eletricidade não passou. Ficamos estatísticos, inertes, e isso foi o fim. Ali nós já sabíamos. E nos olhávamos com carinho tentando não acreditar no que tava obvio. Nosso amor acabou numa praça da liberdade com a paraíso, enquanto tragávamos um cigarro e soltávamos a nossa história. Não foi preciso explicar, não tinha porquê, ele foi do mesmo jeito que veio: sem pedir permissão. Entrou furacão, saiu furacão e nem se preocupou o quanto arrasaria dentro dos nossos corações. É, moreno, nosso amor era egoísta demais pra se importar com o caos que nos causaria, sentimento mimado, bateu o pé pra entrar e a porta pra sair, e nem se despediu de nós. Foi punk, tá sendo, eu sei. Pra mim e pra você, moreno, dizer adeus nunca foi fácil.

O peso dos planos que não vão acontecer enfraquece a coluna e a coragem, seguir em frente sem você ao meu lado é tarefa árdua pra quem sempre teve sua mão guiando a minha. Mas eu sei que a gente consegue, e que no fim ainda vai ser eu e você, mesmo que em outras estradas, com outros amores, em outras histórias, ainda somos nós mesmo que não sejamos mais nada. Ainda somos o passado do futuro de um eterno "não deu", mas foi bom. E ainda vai ser, muito, porque a gente merece, não é!? E eu sei que agora a lágrima tá pesada, o coração apertado e o estômago deu nó, mas vai ficar tudo bem, não vai!? Eu sei que vai, e cê sabe, eu sempre sei de tudo. Não deu pra gente, mas ainda vai dar pra outros romances, e vai desdar muitas vezes mais, até que um dia dê certo. E eu vou ver teu facebook mudar de status e vou sorrir meio enciumada torcendo pro café dela não ser tão bom quanto o meu, e quando for a minha vez cê vai torcer também, eu sei que vai. Que seja bom, mas nunca tão bom quanto a gente foi, sabe? E talvez a gente se cruze na rua e se olhe disfarçadamente até estourar em gargalhadas, você de um lado e eu do outro, e a gente vai ter entendido que de certa forma a vida tem suas voltas, mas sabe o que faz.

2 comentários:

  1. Ai esses textos assim me deixam tão pensativa, já tive um relacionamento assim que por mais que não fosse rolar mais nada entre a gente tanto eu como ele ainda sentíamos falta do nosso relacionamento. Agora é tudo diferente mas na época cheguei a pensar que ele seria o tal.
    Beijos!
    www.yarasousa.com

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  2. Meu Deus do céu, sem palavras para expressar o quanto esse seu texto mexeu comigo <3 um beijo! 48janeiros

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.