Nova Perspectiva

18 de junho de 2015

Hoje dói menos

Via reprodução
Hoje acordei cedinho, sem despertador e sem o peito apertado, fiz um café amargo – daquele jeitinho que eu sempre gostei – e tomei um banho gelado pra deixar a alma despertar também. Sentei na beirada da cama e observei o quão toda aquela bagunça refletia o meu interior: as roupas pelo chão, o armário de pernas para o ar, a mesinha cheia de tranqueira e o lanche de ontem à noite. Respirei fundo, tomei um gole do café e olhei pra mim. Já fazem 6 meses, meio ano, 24 semanas, uma média de 180 dias. Durante esse tempo eu bati carteira na balada, tomei mais porres que a minha vida toda, sai com um bando de caras sem graça, e chorei, muito, de soluçar e faltar ar e achar que morreria. Se quer saber, eu acho que eu quase morri. Vivi uma espécie de coma psicológico no qual eu acordava, saia, voltava e dormia. Ia em lugares que eu não queria estar com pessoas que eu não queria andar e chorava baixinho no banheiro daquelas festas cheias de almas vazias. Eu estive sozinha mesmo nos momentos em que mais haviam pessoas comigo. Eu estive sozinha esse tempo todo porque eu só queria estar com você.

Abri a janela e deixei o sol entrar impregnando cada poro do meu corpo. Teve um tempo em que eu senti cada um dos meus órgãos congelar com a sua falta. Era você quem me esquentava durante a madrugada e de repente as noites ficaram tão frias e eu não sabia o que fazer. Eu era tão dependente de você que nem percebia o quanto isso me mantinha enclausurada em uma história que nunca chegou a dar certo. Você foi uma droga, em todos os sentidos, e eu não queria me livrar desse vicio. Quando você bateu a porta anunciando a sua despedida o eco do seu adeus abriu uma cova dentro de mim. E ali, naquela quarta-feira à tarde no meio do verão, eu virei inverno. Desde então eu vinha sobrevivendo da esperança do dia em que você ia pôr a porta da sala abaixo proclamando o seu retorno.

Ontem à noite, antes de dormir, fiquei olhando o seu número no visor do celular me questionando o que fazer. Digitei uma mensagem, apaguei, digitei outra, deletei, e mais uma, cancelar. Revirei na cama procurando pelo sono que não vinha e senti o coração ser esmagado com a sensação de que a resposta pra tudo isso não estava ai, estava aqui. Sempre esteve. Eu te amei demais porque eu não conseguia me amar também, eu te dei todo o sentimento que eu não podia me dar porque eu não conseguia ver o quanto eu merecia e acabei aceitando as suas migalhas. Eu merecia muito mais e no fundo eu sabia, mas não podia te cobrar por algo que nem eu conseguia me dar. O problema não é – nem nunca foi – você. O problema estava na ausência do meu amor-próprio, no meu medo de me encontrar sem ter ninguém além de mim. O problema foi que a sua partida quebrou a minha imagem de mulher segura e imponente e eu não queria ver o caos em que eu estava. Eu tive que encarar de frente que eu era o meu maior empecilho pra ser feliz. Não foi fácil, passei longos meses empurrando pra de baixo do tapete toda essa sujeira que eu tinha medo de limpar. Ignorei todos os avisos e setas e placas que indicavam: menina, tem algo errado e esse algo é você. Eu tava errada demais pra conseguir fazer a coisa certa.

Hoje, quando eu acordei e não senti o coração esmagado aqui dentro entendi que, finalmente, eu tinha assumido as minhas falhas. Aí abri a janela e deixei o calor me esquentar e fui me esquentando com ele, guardei a roupa, joguei o lixo lá fora e passei uma vassoura aqui dentro. Não é que não doa mais, dói, mas hoje dói menos, porque quando eu compreendi que tava na merda e que a culpa era minha acabei dando o primeiro passo pra fazer a coisa certa. E a coisa certa, cara, é aprender a ser feliz comigo mesma.

5 comentários:

  1. Lindo Texto Gabi, Essa Conta A Minha História Parabéns Pelos Textos Que Escreve Eles Tem Me Ajudado Muito .. Bjs E Parabéns Novamente <3

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    1. Ô doçura, eu que agradeço pelo carinho ♥ muitos beijos!!

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  2. Não vejo a hora dos novos textos. Parabéns são lindoos!

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  3. Você sempre me fazendo choras litros menina <3

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  4. Seus textos falam bem sobre o momento difícil qe estou passando. Sao realmente maravilhosos! Muito obg!

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.