Nova Perspectiva

27 de junho de 2015

É loucura, mas eu ainda acredito no amor

Via reprodução
Acredito, de olhos fechados e coração aberto. Mesmo depois de ter jurado centenas de vezes que nunca mais ia me apaixonar. Nunca mais é tempo demais para um coração inquieto como o meu, por mais que eu me esforce não posso, não dá, sabe? Pra me privar da alegria de sentir as borboletas invadindo o meu estômago.

Não consigo deixar de acreditar e esperar por ele, mesmo carregando todos os hematomas que eu carrego aqui dentro e essas cicatrizes que insistem em me lembrar dos tombos que eu já levei com essas histórias incompletas que acabam no meio da madrugada depois de uma garrafa de vinho, ou duas. Perdi a conta de quantas vezes eu precisei me refazer, juntar os caquinhos espalhados no meio da sala ao som de algum blues, tragando um pouco de todo aquele eco mudo da ausência de outro alguém pra dividir a risada e a mesa e a cama e a vida.

A despedida é o que mais nos despedaça. Mas eu sempre colei os meus pedaços de volta. Depois de um tempo, a gente aprende a acreditar que vai durar pra sempre sabendo que pode acabar amanhã e faz de tudo pra que nada fique pra depois. A gente dá todos os beijos, diz todos os clichês, grita todo o amor, decora cada pedaço do corpo, cada pinta fora do lugar, o cheiro e o sorriso, desenha mentalmente o olhar e quando parece que vai ser, não é. Aí a gente chora como se o mundo fosse acabar, porque ali, de certa forma, um mundo acaba mesmo. Mas é só uma chance da gente recomeçar. É só uma chance pra gente entender que nem sempre dá certo, mas isso não significa que sempre vai dar errado. Aprendi bem cedo que assassinar o amor porque uma história não deu certo é cometer suicídio da alma. E eu sou contra mortes prematuras.

Eu vi meu amor indo embora várias vezes em vários corpos. Colei pedacinho por pedacinho do meu coração cada vez que eles bateram à porta com a promessa de nunca mais voltar e levaram o que havia de melhor em mim. Deixei o travesseiro encharcado depois de vomitar pelos olhos todo o luto com o fim daquelas histórias, até ficar tudo bem de novo, porque, sabe, as coisas sempre se ajeitam e aí a tempestade vai embora e só fica à vontade de que um dia dê certo. Aquela sensação de que, porra, era pra ser, tinha tudo pra ser, o beijo que encaixava, o papo que caminhava bem e as promessas de viajar o mundo e casar na praia, mas não foi e tudo bem, não era ele, o grande amor da minha vida, mas ainda vai ser. Eu sei que vai. Mais cedo ou mais tarde esse cara especial vai tocar a campainha, entrar pra dividir um café e vai acabar ficando um pouco mais até ficar pra sempre. Porque eu ainda acredito que o amor acontece pra quem acredita.

Um comentário:

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.