Nova Perspectiva

3 de junho de 2015

Consideramos justa toda forma de amor

Via reprodução
No dia 25 de maio a rede “O boticário” publicou em seu canal do Youtube um vídeo especial de dia dos namorados para divulgar a linha 7 tentações do perfume Egeo. A propaganda, que já havia sido divulgado na TV aberta um dia antes, tem apenas 30 segundos e narra de forma delicada a troca de presentes na noite do dia 12 de junho por quatro casais, tanto homossexuais, quanto heterossexuais. Até aqui não temos nada de anormal. A anomalia aparece, justamente, em sua repercussão. O comercial feito para o dia mais romântico do ano tirou de parte dos Brasileiros o que de pior pode haver no ser-humano: a intolerância.

Ao colocar dois casais homossexuais ao lado de dois casais heterossexuais o “O boticário” não só reafirmou que o amor não muda com a orientação sexual, como também despertou o conservadorismo enraizado em uma parcela significativa da sociedade. Fez com que o dragão preconceituoso de muita gente “liberar” tomasse a cena e mostrasse que ainda somos o reflexo de um país retrógrado. No dia 1º de junho, completando exatamente uma semana desde sua divulgação, o vídeo atingiu a marca de 120 mil “não curtir”, enquanto a opção positiva “curtir” tinha em torno de 60 mil, sem contar as ameaças de boicote à marca que começaram a crescer simultaneamente aos comentários homofóbicos na publicação. Entre as críticas, a acolhida com maior clamor entre eles dizia que “aquilo é uma afronta a família brasileira”. E, nesse caso, a afronta foi o amor.

Agora deixa eu explicar um pouquinho do que realmente é uma afronta, começando pelo domingo: um dia programado para passarmos juntinhos da família brasileira assistindo a programas estritamente instrutivos no qual mulheres seminuas rebolam educadamente para os seus filhos. Durante a semana somos presenteados com comerciais de cerveja transformando mulher em objeto, programas de auditório no qual familiares quebram o pau por qualquer asneira, ou em que a esposa testa a fidelidade do marido ao vivo e vice-versa. E depois do prato principal ainda temos os jornais repletos de sangue, daqueles que quanto pior melhor, as novelas lotadas com uma cultura de alienação e inúmeros estereótipos. Os humoristas que fazem piadas com casos estupro, transformando a minoria em gozação e lotando a plateia com a família brasileira, que nisso nada vê de errado.

Afrontar é boicotar uma marca porque ela espalha o amor e apoia o respeito. Respeitar não é fazer igual, é ser igual: Você pode amar beterraba, enquanto eu detesto, até aí não existem problemas, nós não precisamos fazer igual, o que eu não tenho direito é de boicotar os supermercados porque metade da população não tem o mesmo gosto que o meu, pois o meu paladar não é melhor que o de ninguém, já que somos todos iguais. O que eu quero dizer com tudo isso é que você não precisa ser homossexual pra respeitar um ser-humano, nem heterossexual, cê’ só precisa ser outro ser-humano.

Nós não devemos deixar de lutar contra as afrontas à família brasileira, só devemos focar nas causas que realmente são uma afronta: menos boicote ao amor de propagandas como a do “O Boticário” e mais boicote ao machismo das propagandas no estilo da “Itaipava”. Assim, quem sabe, a sociedade não começa a avançar.

4 comentários:

  1. Esse caso aconteceu com um grupo que eu tinha no whatsapp, uma pessoa que eu considero muito, que não respeita ninguém, mas que sempre tive carinho, enviou o link do comercial para que as pessoas do grupo fosse no youtube para marcar 'não gostei' no vídeo. Não vi o comercial, mas também não cliquei em gostei, nem em não gostei. Apenas sai do grupo, para não ficar com a língua coçando para não falar poucas e boas. O Brasileiro tem essa intolerância, e infelizmente não para as coisas intoleráveis.

    Gostei bastante da postagem, alguém com a mesma opinião que a minha :)
    Beijos linda
    www.sombradosdezoito.com

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Como sempre, sambando na cara da sociedade.
    Palmas!!

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  4. A repercussão que esse comercial teve foi um absurdo. O comercial é lindo e deveria fazer sucesso por demonstrar o amor, não por outros motivos preconceituosos. Infelizmente, muitos não tem a mesma mentalidade...
    Tem sorteio rolando no blog, você poderia participar? https://kamilacavalcante.wordpress.com/2015/06/05/resenha-extraordinario-sorteio/

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.