Nova Perspectiva

6 de maio de 2015

Sobre o cara que um dia vai chegar

Via reprodução
Enquanto o ônibus atravessa a cidade e a chuva embaça a janela, nos vejo no reflexo do vidro. Não sei onde ou quando nos conhecemos, nem qual é o seu nome, mas eu sei que, de algum jeito, é você. Ou vai ser. Coloco os fones no ouvido, adiciono o modo aleatório e fecho os olhos, Chris Martin começa a cantar os primeiros versos de Yellow e tenho a sensação de que essa pode ser a nossa música, vai saber? Tem tanto de nós dois que eu desconheço.

Pode ser que a gente já tenha se visto várias vezes sem nunca termos nos enxergado, podemos cursar a mesma faculdade ou trabalhar no mesmo prédio, talvez você seja aquele carinha que pega ônibus comigo e sempre sorri quando eu passo. Quem sabe? Você pode ser tanta gente, pode estar em tantos lugares, e ainda assim, pode ser que não seja você. Pelo menos não por enquanto.

Tenho para mim que nos conhecemos por acaso. Eu, como boa apaixonada por esses acasos que fazem a história parecer de filme Hollywoodiano, torço para que tenha sido assim. Uma coincidência planejada estrategicamente pelo destino, um esbarrão que leve tudo ao ar na hora do rush no meio Sé, que tal? Talvez eu xingue um montão enquanto você pede calma e me ajuda a arrumar o seu estrago, vamos levantando em câmera lenta até que nossos olhos se encontram e “boom”, feito mágica o coração acelera, a boca seca e o sorriso nasce sem querer querendo. As pessoas vão sumindo aos poucos e, sem mais nem menos, só conseguimos enxergar um ao outro. Pode ser que tenha sido menos idealizado e mais comum. Você pode ter sentado do meu lado no metrô e eu me apaixonei pela sua camiseta do panic at the disco, quem é que ainda ouve Panic? Eu quis saber seu nome e você meu telefone, depois disso a gente não parou de se falar. Qualquer que tenha sido o nosso encontro, tenho certeza de que nunca mais nos desencontramos.

Te vejo assistindo futebol enquanto eu leio algum dos inesgotáveis livros da minha estante em um domingo sem sal, você grita com o juiz e eu choro com a história e a gente se ama. Talvez você deteste o meu mousse de maracujá e as nossas cervejas sejam de marcas opostas, quem sabe você não vai preferir ouvir black enquanto eu sou mais da bossa nova, pode ser. Eu gosto da paz e você vai ser dos que se arriscam na bagunça, talvez a gente não combine em quase nada, mas ainda assim seremos nós dois, de um jeito meio torto, meio nosso. Espero que você goste de café tanto quanto de mim, e que você o beba amargo. Serão dois cafés sem açúcar todo sábado na padaria do lado de casa, com pão na chapa pra acompanhar, a vida a gente adoça um com o outro.

Você não está aqui, ainda, mas eu te espero com a calma e a paciência que só muita cacetada na cabeça me ensinaram a ter. Te busco com o olhar desatento de quem quer achar, mas prefere ser achado, na esperança de ser surpreendida. Pode ser que seja tudo ilusão causada por excesso de contos de fada, mas eu acredito que o mundo só faz sentido quando aquele tal de amor verdadeiro aparece, por isso eu aguardo a sua chegada. Aguardo o momento em que meus pés vão sair do chão e o seu cheiro vai grudar em mim, pelos seus beijos apaixonados e pela casa que eu vou encontrar no seu abraço. Pelo momento em que eu vou entender porque precisou doer tanto até eu te encontrar. E não importa o quão louco pareça, a gente se cruza um dia desses, eu sei que sim, uma hora ou outra os nossos caminhos esbarram e tudo faz sentido. Só vê se não demora muito.

Ps: quando chegar traz o pão, o café vai estar na mesa.

Até já.

3 comentários:

  1. Embasbacada aqui com a sua forma de escrita! Lindo e lindo! Amei.
    Pude imaginar todas as cenas, lentamente, em minha mente. Perfeito.
    http://escrituras-da-alma.blogspot.com.br/

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  2. Definitivamente esse é meu texto preferido que você escreveu <3
    Caralho, que textooooo!
    Você arrasa sempre, mas dessa vez me pegou de surpresa.
    Amei <3
    Você escreve ouvindo música? Fiquei curiosa para saber qual ouviu com esse texto.

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  3. Estou completamente apaixonada por todos os seus textos!
    É uma mistura de sentimentos que não consigo explicar com palavras. (até porque não sou uma boa escritora como você haha)
    Já sou fã de carteirinha.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.