Nova Perspectiva

16 de abril de 2015

Dos nós que não desatam

Via reprodução
Tua boca se encaixa na minha enquanto nossos corpos descansam no chão do teu quarto, uma cena que parece com um déjà vu vivido e revivido um milhão de vezes na mesma vida. Te olho em busca de alguma resposta que seja diferente da que o meu coração escuta. Você desliza os dedos na minha coluna enquanto um silêncio ensurdecedor paira no meio de nós. Dói. Cê me olha de canto suplicando pra que eu vá embora e eu vou. Vou, porque na marra a gente aprende que algumas batalhas já começam perdidas. Vou, porque, como um quadro antigo, o nosso amor é decoração de sala burguesa. É caro e quase ninguém entende. Nem a gente. Depois você liga desesperado no meio da noite me pedindo de volta, e eu volto. Volto porque no meio dessa loucura toda eu só encontro paz no nosso caos. No nosso amor bagunçado, desgraçado, amargurado. Na nossa história garranchada, vomitada, mal vista.

E a gente se tem e se perde, se atrai e se repele, acaba e recomeça. Nos despedimos numa tentativa sã de sermos livres e depois damos um jeito de fazer nossos caminhos se cruzarem numa armadilha alucinada. A gente se ama na cama, no chão e na vida e depois já não se ama mais e partimos. Partimos um ao outro, também. E voltamos. E vamos. E amamos. E ficamos nesse romance alcoolizado, esquizofrênico, doentio. Pra sempre ou só até mais tarde. Um pouco mais.

Você me olha e eu te expulso antes de te convidar pra mais um café. Nos completamos e nos despedaçamos no mesmo instante. E nos recompomos sempre esperando pelo final, seja feliz ou não. A gente se perde e se acha nesse jogo de vai e volta, e nos machucamos, também. Muito. E dói. E cura. E aperta. E arde. Somos um desses nós cegos que cortam, espremem, esmagam e não desatam. Uma sacanagem do destino, uma ironia pros romances e pros românticos. O tiro certeiro da roleta russa. Somos o final do começo de um eterno "não da", mas deu. Deu certo e deu errado e a gente vai dando sei lá no que enquanto os dias seguem e os meses voam e os anos chegam. E ainda é a gente no chão do teu quarto, no meio do cinema, na sala de casa, nas linhas que eu escrevo. Ainda somos nós antes de deixarmos de ser e depois somos mais um pouco em um completo anseio de nunca deixarmos de ser amor. E somos de novo, pra sempre. Até não ser mais nada. Sendo.

17 comentários:

  1. Muito bom o seu texto.
    Preciso te falar, está puro luxo isso aqui viu? Seu blog está liiindo!
    Ganhou uma nova seguidora - EU \Õ/
    Um beijo

    http://ddreamsoficial.blogspot.com.br/

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  2. As vezes esse tipo de romance é o que mais dura. Esse de: Ah, não vai durar. Quando vê, já se foram anos.

    Eu espero encontrar um amor asism também. Quem sabe já não tenha?

    escreve divinamente, Gabriela <3

    beijo
    beinghellz.blogspot.com

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  3. Primeiro deixa eu dizer que: amei esse layout! Apaixonada!!!
    E esse texto ai? Ai ai. Maravilhoso como sempre.
    Minha parte favorita "E somos de novo, pra sempre. Até não ser mais nada. Sendo."
    beijos!!
    http://cheiade-alegria.blogspot.com.br/

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  4. Deu certo e deu errado. Quem nunca passou por isso, né? Belíssimo!

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  5. Lindo o texto, Gabi! Quem nunca viveu algo parecido? É bonito de se ler no texto, na vida machuca, machuca e machuca! Ainda prefiro as coisas estáveis e calmas, faz mais bem pro coração! *-*
    Você escreve muito bem!
    Beijos, linda!
    http://www.canseidesernerd.com

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  6. ". A gente se perde e se acha nesse jogo de vai e volta, e nos machucamos, também. Muito. E dói. E cura. E aperta. E arde. Somos um desses nós cegos que cortam, espremem, esmagam e não desatam."

    Lembrei-me de uma história antiga. Hehe
    Exatamente assim, acontecesse o que acontecesse estavámos lá um pro outro, um nó forte que foi difícil desfazer.
    Ah Gabriela, você tem se superado cada vez mais na escrita. Parabéns!!

    Beijos
    arianacoimbra.blogspot.com

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  7. Adorei! As vezes as brigas só servem pra fortalecer a relação, mas depende do nível das brigas né? Se for briguinha boba, a gente já sabe que é o certo, porque com todas as pessoas que amamos é assim. É só comparar o nosso amor pelos nossos pais, que uma hora briga e em outra hora já estamos nos dando bem de novo. É bem assim.

    Beijos!
    www.likeparadise.com.br

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  8. Menina, eu adorei! Mesmo. Que lindo.

    Beijos,
    Lali - Blog Inspirada em Palavras
    Sil, que saudades menina!
    Estou louca para ter esse livro em mãos.
    Beijos,
    Lali - Blog Inspirada em Palavras
    http://inspiradaempalavras.blogspot.com.br/

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  9. Acho que toda forma louca de amor é bem valida, bom mesmo é se permiti e curti isso!

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  10. Não sei se fico feliz ou triste em conseguir ver uma história pessoal no texto...

    Novembro Inconstante

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Que texto lindo! Mas é triste e ao mesmo tempo bom viver um amor assim... No qual nos encontramos e nos perdemos.

    www.nahboa.com

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  13. Que texto simplesmente fantástico, uma bela referência ao que é muitas relações. Palavras extraordinárias :)

    http://ummarderecordacoes.blogs.sapo.pt/

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  14. Gaby, sempre doutrinando.
    Acho que não consigo mais escrever com tanto sentimento.
    Felizmente, você o faz!

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.