Nova Perspectiva

12 de fevereiro de 2013

Pode ser ele?

Via reprodução
Enquanto eu aguardava o garçom chegar o vi passar na rua com uma mulher que parecia ser uma dessas modelos da Victoria secret, vocês riam de alguma coisa enquanto caminhavam com as mãos dadas, em teu braço esquerdo estava apoiada a bolsa dela, esquivei-me dos teus olhos para não ser notada enquanto ficava espiando seus passos, você parecia tão feliz que aquela cena me fez sentir um aperto melancólico gritar por dentro do peito, foi como se aquela mulher tivesse usufruindo um lugar que por direito era meu, mesmo eu tendo o renunciado, aquela cena vista daquele café velho que íamos juntos nos dias de inverno me fez ver o quão no fundo eu ainda o amava interminavelmente. O garçom chamou minha atenção e os perdi de vista.
- O que a senhora deseja?
- Ah, moço... Desejo que o cheiro do cigarro mentolado que ele fuma volte a impregnar nas minhas roupas de seda, desejo que ele chegue com um vinho barato na segunda-feira depois do trabalho para nós bebermos junto com a pizza que vende na padaria da esquina enquanto discutimos sobre o que vai acontecer no próximo episódio da novela, quero ouvir o violão dele me acordando em um domingo chuvoso e aquele papo de capitalismo versus socialismo regado à um bom whisky. Desejo poder voltar no tempo ou então dizer pra ele que estou arrependida e que já não consigo viver com essa distância entre nós. Desejo que ele também queira dar outra chance para o nosso amor. Desejo que ele ainda me ame. Desejo aquela risada e o jeito meio torto de segurar na minha mão. Desejo que ele largue daquela moça bonita e venha se prender em mim. Desejo toda aquela coisinha fofa de casal apaixonado que eu não queria desejar, mas que desejo.
- Isso eu não tenho como trazer, mas pode ser um café preto?
- Não moço, desculpe, mas é que minha sede é dele.

"Lembranças machucam. As boas, mais ainda." Harlan Coben.

23 comentários:

  1. É dessa cena de perda que eu tenho medo, por isso continuo nesse barco furado com medo de perder... Beijos

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    1. Tenho medo de sentir essa dor de novo, é terrível.

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  2. Ah, lendo esse texto eu me sinto nessa situação, a cada piscadela. Esse momento de perda, é tão profundo, triste e bonito ao mesmo tempo. Você descreveu muito bem. O desejo de o querer e não poder mais...

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  3. Penso que deve ser assustador para a moça acordar e ir dormir todos os dias sentindo essa falta e não conseguir preencher com nada nem ninguém... As lembranças deveriam desaparecer assim que as pessoas que as compões sumissem das nossas vidas.

    Beijos

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    1. Mas aí não teríamos recordações, que embora sejam nostálgicas, são ainda assim boas.

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  4. E vêm aquele velho clichê de que a gente só dá valor depois que perde :(
    Um beijo :*

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  5. Esse texto me define tanto ás vezes... Mas ultimamente tenho me conformado com o café preto mesmo, bem forte de preferência.

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  6. Muito lindo!
    Se eu pudesse pediria exatamente isso também, mas tudo o que eu consigo alcançar é um café preto, bem forte e sem açúcar. Algum dia ainda encontro o creme ideal pra adoçar esse café, disso nunca perco a esperança!

    Beijão :*

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  7. Ai gente.. quantas decisões a gente toma sem nem saber direito as consequências todas, né?
    Não necessariamente deixar de amar significa deixar de sofrer ao ver uma cena dessas..
    Complicadinha essa história de viver a vida.. :P

    ;**

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    1. Nem me fale, seria bom se tivéssemos como saber que nossas decisões nos dariam como consequência.

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  8. Parabéns pelo seu blogger, achei muito lindo e os textos perfeitos, voocê é muito boa, agora víciei vou frenquetar direto.

    http://lagrimasdeumgaroto.blogspot.com.br/

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  9. Ela bem que pode desviar da vida alheia e seguir em frente. Quando um não quer, dois não brigam. E essa saudade me parece doentia. Todo amor dá certo por um período. Feliz é aquele que se encontra em outras pessoas. Amor nunca foi incondicional.
    Abraços.

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  10. Direta e imprevisível, é assim que vejo o que produziu aqui.
    Uma cena que poderia não trazer surpresas mas você colocou o que seriam apenas pensamentos numa fala de diálogo direto, mudando o rumo das coisas.

    É esse tipo de coisa que a gente espera ler.

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    1. Um elogio vindo de você é quase como ganhar na loteria, muito obrigada Brunno.

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  11. são todas essas pequenas coisas que marcam e ficam martelando. o cheiro do cigarro, as discussões sobre política, as noites. e o café preto nunca vai servir. no máximo, uma vodka.

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  12. A primeira parte parece que foi peita pra mim, e depois de quase um ano está caindo minha ficha que estão ocupando meu lugar "/

    Verdade lembrar do que passou e não voltará, DOI


    Con amore, Donna Yellow ♥

    maybe yellow

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.