Nova Perspectiva

26 de fevereiro de 2011

Uma historia de desamor.

“- Fica pra sempre comigo?
- Fico, pra até depois do sempre.”

E no final o que restou foi um coração partido, um orgulho ferido, dois olhos encharcados e a maldita promessa de nunca mais amar.
Enquanto a voz calma de Armandinho saía da rádio a mulher organizava o quarto, foi um baú velho que fez um sorriso leve ser arrancado do rosto marcado de dor.
Lúcia, Lulu para os íntimos, sentou no chão, hesitou um pouco ao abrir o baú de fotografias antigas, ela sabia de todas as lembranças lá se escondiam.
A primeira fotografia logo fez as lágrimas surgirem, era impossível não chorar, a ferida ainda estava aberta.
“- Ela esta gravida.
- De quem?
- De mim.”

O passado tão recente ainda lhe causava marcas de um terrível sofrimento, disseram-me uma vez que a pior dor é aquela do coração, ela era a prova disso.
“- Você vai embora.
- Tenho que ficar com ela.
- Mas, eu, eu também preciso de você aqui.
- Ela precisa mais.
- Tiago...
- Não, Lúcia. Isso é um adeus.”

O número de fotografias era baixo, havia no máximo cinquenta fotos, mas a dor e a alegria que nelas se escondiam era o dobro do infinito. Fotografias não guardam só imagens, guardam cheiros, momentos, sensações. Ver uma foto antiga é como reviver o passado e saber que nada daquilo voltará a ser igual. Não voltaria.
“- Eu vou te amar pra sempre, meu amor, eu te perdoou por ter ficado com ela, eu esqueço tudo, mas não vai embora. Eu imploro.
- Eu não queria ter te magoado.
- Por favor, fica. Eu suplico, fica, por tudo que vivemos, fica Tiago, fica.
- Eu tenho que ir, você vai encontrar alguém que te faça feliz, mas este alguém não sou eu. Não pode ser eu.”

O sorriso desapareceu do rosto e as lágrimas lhe cobriram a face, existem inúmeras dores do coração, e nesse momento a garota estava tendo um enfarto de dor acumulada.
Erguer a cabeça e seguir adiante nunca funcionou para aquela mulher de tão pouca idade, sua vida era a faculdade, os livros, os cigarros e o cafés amargo de toda manhã, amargo como a vida dela vinha sendo desde que ele foi embora para construir uma família com outra mulher.
A própria palavra amor lhe causava repulsa, o sentimento pelo homem já não lhe habitava mais o coração, mas ainda havia marcas, a ferida ainda estava aberta.
Seria bom se houvesse um antibiótico para a alma, se algo pudesse fazer com que o coração parasse de doer.
“Então me diz alguma coisa, bate aqui de madrugada pra lembrar daquele tempo, pra sempre ou só por um momento, me da um beijo na boca e depois me leva pra sua casa...” A musica acabou e foi a vez da propaganda dar sua voz, ela levantou, guardou o pequeno baú de madeira recheada com boas e más lembranças, fechou o guarda roupa, abriu a janela e deixou com que o restante de suas lágrimas caíssem.
O que ela faria se ele voltasse?
Não importa. Ele não voltará.

*Escolhi exatamente está musica porque ela tem um significado especial para mim.

13 comentários:

  1. É difícil seguir em frente sem aquele amor que nos faz perder o rumo né D:
    Gostei bastante do seu conto. Já te elogiei por eles né rs.
    Que música é essa Gabi?
    Bgs ;*

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  2. Armandinho - Outra noite que se vai.
    Essa música tem historia, rs.

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  3. Porque o amor tem q ser tão complicado as vezes? Sabes me dizer?

    Lindo o texto,beijos.

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  4. Amei, implorar nada adianta, e como diz Carlos Drummond, o amor tem dessas coisas, aperta, afrouxa... deu nó no estômago, e daí, a vida não para, o jeito é andar com aspirina...

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  5. Ah Gabi é tao ruim perder o rumo no amor,
    ter o coração partido pode nos deixar marcas eternas.

    Mas Caio ja dizia: 'Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras coisas.'

    e essa outra coisa é o amor minha querida.
    Por mais difícil que seja, nao podemos desacreditar Nele, porque acredito sempre, que cada um tem um alguém em algum lugar.
    Se nao deu certo, é porque nao era ele.


    E deixe que o tempo te cure, assim como as ferias precisam de tempo para cicatrizar, um coração partido também.

    Bjs & abraços!

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  6. Suponho que seja muito doloroso, sentir o chão se abrir à seus pés...
    Mas entendo tbm, que pra toda dor há a um a cura.
    O que precisamos é ter forçar pra reagir , sempre.

    beijooos
    Obrigada pelo carinho...

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  7. A dor do coração é terrível. Como citou, é um enfarto mesmo, mas não especificamente do coração. É um enfarto do amor. Uma dor insuportável, quase que mortal. Quem sobrevive, jamais vive igual antes.
    A dor do amor, pelo menos ao meu ver, é a dor mais difícil com relação à dores sentimentais. Supera a da saudade, a da tristeza. A dor do amor é mais forte, porque é verdadeira, é sempre presente.
    Mas você é forte Gabs! Tempo por tempo, seu tempo dominará o tempo do amor. Logo, o trem descarrilado voltará aos trilhos, em perfeita funcionalidade!

    Beijos!

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  8. Sabe qual é a particularidade dos seus textos? Você escreve coisas que no começo nós não entendemos, mas no decorrer da história, você põe pequenas coisas para podermos entender. Adoro muito isso!
    Quanto ao conto, a tristeza tem um modo belo de ser apresentada. Nem todo amor é possível.
    ;**

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  9. Lindo texto. Parabéns ,eu diria que é um texto rico, amei
    Abraço.

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  10. Sempre mandando bem nos textos e nos diálogos essa garota ;)

    Quanto ao amor? Ô troço complicado da porra. PQP!

    Beijo.

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  11. histórias assim precisam terminar em raiva

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  12. "enfarto de dor"
    Bom, tem que abrir a janela e deixar levar, certo?
    Esperar alguém que jamais irá voltar é trágico.
    Penso que só se ama uma vez, se acabou não era amor, então ele ainda está por vir. E se não passar que tal só pegar as boas lembranças? Sem deixar de viver o presente, é claro!

    Gostei do história :*

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.