Nova Perspectiva

10 de janeiro de 2011

Para onde você vai quando está triste?

Uma praça. Um pouco de chuva. Inverno. Um tempo incrivelmente nublado.Vazio.
Para onde você vai quando está triste?
As lembranças cercavam minha mente, aquilo não era como se separar de um namorado ou ver sua melhor colega de classe se mudar para o interior. Aquilo estava me matando sem grande dificuldade.
Aquele era o nosso lugar, era a nossa praça, o nosso banco.Você já imaginou perder alguém que significa tudo? Fechei os olhos encharcados de lágrimas, deitei no banco frio de madeira. De repente era um dia quente e você corria em minha direção, a praça estava cercada de verde, você me abraçava forte e eu pude sentir seus braços me envolverem naquela tarde fria.
Você sempre esteve ao meu lado e agora eu estava tão sozinha. Você foi muito mais do que o que eu sempre mereci, do que eu sempre esperei. Dizem que o final não é tão doloroso quanto achamos, então, por favor, será que alguém pode me explicar o por que do meu peito estar sangrando tanto.
Mantive os olhos fechados até sentir a luminosidade do lado de fora sumir, a noite chegava ainda mais fria do que a tarde. Percorri um curto espaço até a nossa árvore, sentei no chão úmido e coloquei a cabeça entre as minhas pernas.Voltei a fechar os olhos. Era algum domingo qualquer e você jogava sobre mim algumas frutinhas vermelhas, como era mesmo o nome daquela miniatura deliciosa? Ah, jogava-me amoras! Eu estava pintada de vermelho e você ria como uma criança, nos sentamos embaixo de uma árvore nos escondendo do sol – Vou levar uma puta bronca, Gabriel. - E você continuava a rir, teus lábios grossos, enfim, tocaram os meus e uma espécie de eletricidade fluiu por dentro de meus membros.
Voltei a abrir os olhos, a dor estava me consumindo. Levantei-me com grande dificuldade e com passos lerdos fui até minha casa, algumas pessoas me perguntaram se eu estava bem quando entrei, não havia voz em minha boca para que eu as respondesse, senti o forte abraço da minha  mãe me acolhendo, mas não era o seu, por isso não pude me sentir segura. Subi até o quarto e desesperadamente me pus a gritar contra as paredes, cai ao chão.
Fechei os olhos, mais uma vez. Era o mesmo dia, porém ainda mais cedo, todos estavam de preto, eu ainda me perguntava como viver tendo perdido a minha vida, fotos suas estavam espalhadas pela pequena sala de sua casa. Estavam todos desesperados, a dor engolia o ambiente sombrio a luz de vela. Jogar terra em cima de você tornou a minha dor infinitamente maior.
Levantei do chão duro e me sentei na cama.
- Para onde você vai quando está triste? – Falei em voz alta, era está a pergunta que você me fazia sempre, a pergunta que eu nunca te respondi. Foi você que me deu o meu primeiro beijo, foi você que fez meu corpo suar desejando todo o teu amor, foi você que me escutou, me abraçou, me protegeu, me amou, me desejou. - Para onde você vai quando está triste? – Repeti mais uma vez. Respirei fundo até me acostumar com o ambiente que jamais teria a sua presença novamente, seu cheiro estava impregnada em todos os cantos daquele quarto e eu implorava ao vento não leva-se para fora o seu odor de amora. - Para onde você vai quando está triste? – Limpei as lágrimas que me caiam do rosto. – Para o único lugar onde você estará sempre vivo: dentro de mim.

19 comentários:

  1. pelo amor de Deus , arrepios subiram subitamente pelo meu corpo todo , fiquei impressionado com a capacidade de sua escrita , quanto amor e paixão em um só texto . Parabéns .

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  2. Bom diaaa!
    Háa adoreii o post! me senti realmente tocada... e o sentimento ficou martelando aqui dentro do peito, querendo sair! lindasss paalavras!

    ♥´¯`*•.¸¸♥ Beijinhos,
    e que sua semana seja maravilhosa!

    ♥_________Mih_ ઇઉ

    http://trevisanimichelle.blogspot.com/

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  3. Nossa, eu me arrepiei cara, vieram lágrimas em meus olhos. Eu também fico em uma praça de vez em quando, fechando os olhos para tentar relembrar os momentos que ele estava comigo. Ele também morreu para mim, mas continua vivo para o resto das pessoas. Beijos, você tem um talento incrível! :*


    railmamedeiros.blogspot.com

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  4. Nossa que lindo Gabi *-*
    Amei o texto desde comecinho, e quando descobria a verdade da separação fiquei muito triste, pois a morte é uma das únicas coisas que não podemos reverter!

    Escreveu maravilhosamente bem!

    Parabéns, gostei bastante :)

    Beijos,
    Gabi
    Mundo Platônico
    http://gabiiem.blogspot.com/

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  5. amei demais, você é ótima ... *-*
    beijos gabi s2

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  6. é uma indagação provocante... a memória é o refúgio mais seguro...

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  7. Lindo esse texto. Gostei muito do seu blog. E vi que você está lendo A Menina Que Roubava Livros. Eu amei esse livro, muito bom mesmo :]

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  8. Nossa, lindo o texto.
    Tantas vezes também vou pra ''lá''

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  9. Quando estou triste, eu ouço uma música, vou ficar sozinha... Não importa a onde.

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  10. nooossa qu lindo adorei *---*

    "Jogar terra em cima de você tornou a minha dor infinitamente maior. "

    beeeijos

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  11. me lembrei de coisas muito doces, envolvendo bancos de praça e ex-amores.
    bonito texto!
    acho que todo mundo tem um banco de praça do coração

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  12. Eu me tranco,
    me fecho pro mundo.

    Prefiro não ver pessoas e me afundar em meus pensamentos e sentimentos,
    só assim consigo respirar e não afeto pessoas.

    blogue lindo!

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  13. Menina, você escreve como gente grande! E olha que tem muita gente grande por aí que não chega à sua altura.

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  14. aconteceu isso mesmo ctg?
    se não, parabéns. ficou MTO real. amei demais..
    conseguiu transmitir a tristeza da personagem e por pouco não me fez chorar. parabéns, o prêmio foi merecido

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  15. Muito obrigada gente pelo carinho.
    Não Any, é uma historia inventada rs. own, brigada! *-*

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  16. Muito bom o texto.
    É emocionante e profundo.
    Parece um relato pessoal.rsrs

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.