Nova Perspectiva

23 de janeiro de 2011

O fruto do pecado - Parte 6.

- Não, sim, mais ou menos. - Falou a menina enxugando o rosto após voltar do banheiro.
- O que você tem filha?
- Mãe, sente-se. - A garota deu uma breve olhada para seu amigo e voltou a encarar a mãe. - Preciso que você me escute, me entenda e me ajude!
- Mas Júlia o que você tem pelo amor de Deus. - A mulher que já estava pálida sentou-se.
Por alguns minutos o silencio ameaçador ecoou pelos quatro cantos do quarto, Leonardo olhava a amiga que tinha milhões de ideias malucas de caras desconhecidos na cabeça.
- Fale. - Incentivou o amigo. - Vai.
- Você está doente filha? - Os olhos da mãe estavam cobertos por finas gotículas salgadas.
- Não mãe, eu estou bem. - A menina suspirou. - Eu, mãe, eu vou ser mãe, estou gravida.
O silêncio novamente invadiu o pequeno espaço onde os três respiravam o mesmo ar pesado. As lágrimas sumiram do olho da mulher loira, Júlia trazia no rosto a expressão de medo e Leonardo começava a absorver a verdade.
- Você está o que? Eu ouvi direito? Puta que pariu Júlia diz que está brincando comigo, diz que isto é apenas a porra de uma pegadinha! - O tom de voz da mulher se alterou.
- Mãe, desculpa. - A voz de choro que Júlia tanto odiava entregou o medo que havia dentro daquela menina
- Desculpa? Desculpa por você ter transado com algum desgraçado? Desculpa por você ser tão estúpida a ponto de não usar a merda de uma camisinha? - A mulher levantou-se. - Quem é o maldito homem?
Um silêncio rápido.
Uma verdade.
Uma mentira.
- Um turista, foi uma noite rápida mãe. - Júlia tentou controlar seus pensamentos concentrando-se apenas naquela mentira. - Ele foi embora, não sei nem o nome dele!
A mão da mulher não demorou a tocar o rosto da menina, as lágrimas continuaram a rolar pela face vermelha, “vadia” foi o que a mãe disse enquanto abaixava a mão, o garoto que observava a cena não conteve a raiva daquelas palavras, sua indignação foi maior.
- É mentira! - Disse ele.
As duas o fitavam.
Houve um conflito entre os olhares.
- O que? - Disse a mulher loira.
- Não! - Gritou a menina limpando o rosto.
- É mentira, ela está mentindo.
O garoto levantou-se e sem olhar para trás caminhou até a porta de madeira, as duas o seguiram, Júlia tentou agarrar o braço do amigo, ela sabia o que ele faria se saísse daquela casa. A casa de Paulo ficava a dois quarteirões.

- Eu vou matar aquele desgraçado.
- Léo, não. - Mas era tarde, Leonardo já havia se soltado das mãos finas de Júlia e agora corria para casa de seu velho professor.
Júlia encarou a mãe com um olhar de dor, a mulher que já não estava mais com raiva abraçou a filha que chorava.
- Me diz a verdade filha. - A mulher derramou algumas lágrimas também.- Ele vai matar quem?
- Paulo!
E nada mais precisou ser dito para que a mãe entendesse toda a verdade, ela conhecia Paulo e conhecia Júlia, a mulher passou a mão pela cabeça da filha e segurou o pequeno rosto de frente para o seu.
- Porque filha?
- Porque eu o amo mãe.
- Desde quando isso acontece? Vocês dois?
- Quase dois anos, foi quando eu terminei o colégio.
- Você era, é, uma criança Júlia.
- Eu o amo. - Repetiu a menina.
- Ele já sabe?
- Já. - Júlia agarrou a mãe que lhe fez sentir-se segura pela primeira vez depois da descoberta.
- Ele não te ama, desgraçado! Ele te enganou, você se deixou enganar, Júlia, você é tão menina ainda. - A mulher soltou da filha. - Vamos impedir um assassinato, se alguém for matar Paulo este alguém será eu!
Um amigo com raiva.
Uma mãe com raiva.
Uma filha quase mãe com medo.
Um bebe sem pai.
Um quase assassinato.
Uma verdade.
Um caos na cidade.
Continua...

16 comentários:

  1. 'Um amigo com raiva.
    Uma mãe com raiva.
    Uma filha quase mãe com medo.
    Um bebe sem pai.
    Um quase assassinato.
    Uma verdade.
    Um caos na cidade'

    Estou tensa :S

    meenina me viciei na sua historia.
    Que barra, cada vez isso vai esquentando mais.


    *
    *


    Adorei. estou adorando.
    Parabéns, vc sabe como prender um leitor rs,s

    Bjs, e amanha não me deixe sem continuação.

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  2. bem escrito e desenvolvido o que você escreve
    deixa aquela vontade de saber o que vai acontecer em seguida, para quem cria uma realidade paralela, deve ser uma satisfação ler isso

    gostei

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  3. .

    Fantástico!

    Grande expectativa.

    Concordo com juuh: Você sabe como prender um leitor.


    Beijos, menina encantada!

    .
    .

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  4. Não li toda a história, mas amei o pouco que li, e voltarei pra ler desde o começinho.
    E te sigo!

    Beijos =*

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  5. nossa..que loucura, que vicio, que,..onde começa essa história?

    http://guilg7.blogspot.com/

    vlw...

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  6. aah obrigada meu bem! também adorei suas histórias..já li a maioria postada (: hahaha
    um beijo e ótima semana :**

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  7. Na hora que Léo disse que era mentira, achei que ele iria dizer que era o pai rs. Que tenso :s Mas acho que ele não vai fazer nada de grave não :B Tomara riri.
    Bgs :*

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  8. Estou lendo todas as partes, continue o conto, estou louca para saber como será o final !

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  9. AAAAAAAAAAAH que agonia!
    puta merda.

    D:

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  10. Nossa não espera essa atitude do Leo...

    Bjs

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  11. Muito bom! A história deixa a gente numa expectativa, numa tensão... Beijo! :*

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  12. Nossa, terminou bem tenso essa parte, hein? (:
    O que gostei foi essas coisas em itálico, tão uma tensão a mais na história.
    ;*

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  13. realmente me viciei na historia *--*

    perfeita ! mesmo ! continuie.

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  14. Estou cada vez mais curiosa pra ver como vai acabar essa história!
    Ah, e tem um selo pra vc lá no meu blog...
    http://coisasqdaonatelha.blogspot.com/2011/01/selo.html

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.