Nova Perspectiva

8 de janeiro de 2011

E então é o fim.

Uma noite longa.

Coloquei para dentro mais uma dose de uísque ao som de alguma música desconhecida, soltei o coque que prendia todos os meus fios de cabelo, senti algo molhar meu rosto, malditas lágrimas.
- Senhor me vê a conta, por favor?
Peguei o papel com os números anotados, fui até o caixa e passei o cartão, sentei na porta do pequeno bar que ficava na esquina de minha rua, este mesmo bar, que fedia a xixi, me repugnava a um mês atrás, antes deu descobrir o que me aguardava, desde então ele vinha sendo o meu local preferido. Enxuguei o rosto com a manga do meu moletom marrom meio desbotado, levantei com um pouco de esforço e caminhei até a minha casa, abri o portão e sem acender as luzes fui até a cozinha, procurei por algo para encher o meu estômago, “Preciso fazer compras” ri com o meu tolo pensamento “Compras para quê?” antes que as lágrimas tomassem o meu rosto lembrei-me de algo ainda mais urgente do que chorar pelos tombos da vida.
Fechei o armário vazio e voltei para rua, desci três quadras lentamente, confesso que mais lentamente do que o necessário, parei em frente ao portão preto que cercava a frente de tua casa, deixei que as lágrimas escorressem por mais alguns minutos e então, após enxugá-las, toquei a campainha.
- Meu amor, achei que você estava trabalhando! - Você disse ao abrir o portão para que eu entrasse.
- Não fui trabalhar hoje. - Respondi rispidamente.
- Então entre querida.
- Não é necessário, vou ser breve.
Engoli as lágrimas antes que ela chegassem ao meu rosto, te ver ali, parado em minha frente, tornava a minha dor e a minha culpa – não que eu devesse senti-la – ainda maior.
- Está com pressa por quê?
- Estou com o tempo apertado, preciso terminar umas coisas.
- Coisas?
- Sim, Marcos, umas coisas. Vou ser o mais rápida e direta possível para acabarmos logo com isso.
- Acabar com o quê?
- Com está historia ridícula, eu não te amo mais, e talvez nunca tenha te amado, essa é a verdade.
- Você bebeu?
- Um pouco, por quê?
- Está cheirando a álcool.
- De qualquer forma estou sóbria o suficiente para saber o que estou dizendo.
- Acho melhor você entrar e tomar um banho, já que não me parece em condições boas o suficiente para dizer nada.
- Mas eu estou e sei o que estou dizendo. Acabou. Acabamos.
- Simples assim?
- Sim.
- Dê-me um motivo.
Pensei por alguns minutos se a verdade te machucaria tanto quanto estava me machucando, cheguei a conclusão que te doeria mais.
- Lúcio.
- O que tem ele?
- Lúcio, aquele meu amor do colegial, voltou faz uns meses e estamos tendo um pequeno caso. Algo me fez ficar novamente apaixonada por ele.
- Você está brincando comigo, não está? Diga que está!
- Bom, eu já falei tudo que tinha para falar, agora tenho que ir fazer as minhas coisas.
- Eu te odeio por isso. Eu te odeio por tem gasto anos com você.
- Lamento por isso Marcos.
- Vá à merda.
- Até mais.
- Até nunca mais.
- Como preferir.
Virei as costas e voltei pelas mesmas quadras que havia percorrido para lhe contar estas terríveis mentiras.

Pra uma vida curta.

Abri novamente o portão da minha casa e poupei os esforços dos outros deixando-o aberto, subi para o meu quarto, procurei por um papel em branco e uma caneta azul.
“Meu amor, me perdoe por te fazer acreditar em minhas falsas palavras. Nunca reencontrei o Lúcio, e você foi, é, e sempre será o meu único amor, seja lá onde eu estiver. Sabe, Marcos, lembro-me agora de uma de nossas conversas no jardim de sua casa, lembro-me que falávamos sobre morte e você disse que sempre acreditou em vida após a mesma, sempre achei a morte uma vilã, mas depois de um mês convivendo com essa minha mais nova melhor amiga devo afirmar que minha opinião mudou, agora acredito que ela é a mocinha desta hipócrita historia da vida, ela nos salva deste mundo e nos leva para outro lugar, eu também lembro que não acreditava em vida após ela, só que agora rezo toda noite para que possa existir outro mundo além do nosso e se existir te juro olhar sempre para cá. Desculpe-me por ter te ferido duas vezes, primeiramente com aquela história mal inventada de ontem e, em segundo lugar, por este meu trágico fim. Talvez eu devesse ter te contado que iria morrer assim que eu descobri que restava-me pouco mais de um mês de vida, mas eu tive medo de sofrer com a sua dor, sei que foi egoísmo da minha parte, e espero ser perdoada por mais este pecado. Gostaria de poder escrever mais, porém me falta forças para fazer tal coisa, e tempo também. Estou no final, mas não pense que morrerei triste pois não será verdade, morro feliz por saber que te conheci e que vivi lindos e intensos anos ao seu lado. Ah, meu querido, preciso te dizer ainda que te amo, te amo e que te amo demais. Lembre-se sempre de olhar para o céu ao luar da meia noite, eu serei uma das estrelas que brilharão lá de cima, estarei te observando, não pare de viver, faça o contrário, viva ainda mais, porque quando você chegar no final não irá pensar no que deixou de fazer. Te amo tanto que nem em mil páginas eu conseguiria te dizer o quanto é grande o meu amor.
Da sua amada e eterna apaixonada, Marina.”
Dobrei o papel e coloquei o seu nome, apaguei a luz do quarto e me deitei na cama, não tomei os remédios que neste momento seriam insignificante ao meu organismo já semi morto, deixei com que as lágrimas rolassem até que os meus olhos por fim se fecharam. Para sempre.

16 comentários:

  1. pelo amor de deus , que texto perfeito e tocante , uma verdadeira obra de arte literária .

    www.cavernadopensamento.blogspot.com

    um beijo e um salve a grande escritora (:

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  2. Muito profundo...
    Bom mesmo!
    Um belo domingo pra ti!
    Beijos meus

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  3. Muito lindo como sempre Gabs. Venho aqui todos os dias, seus textos, suas palavras me viciaram. Beijos, me visite também.


    http://railmamedeiros.blogspot.com/

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  4. Que texto mais lindo!
    Muito profundo...
    Parabéens, adorei seu blog, vou seguir =)'

    Dê uma passada no meu : http://stagesofadolescentforever.blogspot.com/

    bjs!

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  5. Passei a te admirar. Que texto magnifico. Meus olhos estão cheios de lágrimas!

    Parabéns!

    Milhoesdebeijos;*

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  6. Já te disse que você escreve umas coisas e que parece, muito, mais muito mesmo com as coisas que eu vivo ou que estou viviendo? Se você ama meu blog eu amo as inspirações que você tem para escrever coisas, que eu sei que não são pra mim, mas vai saber? O Destino é algo muito, mais muito engraçado msmo.

    Beijos

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  7. Que lindo esse texto Gabi,tá mt perfeito sério mesmo.
    Você tem MUITO talento,eu amo ler seus textos.
    beijo.
    http://truthsofaheart.blogspot.com/

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  8. Não me canso de dizer, seus textos sempre lindos.

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  9. MUITO BOM!!!

    Gostei muito! Parabéns pela escrita! Vou te seguir também.

    Beijo.

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  10. Aff, ta igual aquelas comunidadezinhas clichês do orkut --'

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.